25 de jan de 2010

Olhos trocados


Olho tudo ao meu redor tentando buscar resquícios de uma vida que me foi apenas narrada pela voz já castigada pelo tempo. Queria vê-los. Mas tudo me é conhecido. O tempo por aqui não parou. Eu queria me ver de alguma forma nessas paisagens. Completá-las. Já sou outra que não ela. Percorrem-se sempre caminhos que nunca se passará mais. Não encontrei as memórias. O sertão descrito, as estradas de terra vermelha. Eu queria escutar aquelas vozes contando e cantando histórias e um motor barulhento de pau-de-arara roncando no qual eu estaria pendurada em uma rede comendo paçoca socada um dia antes. Sem todos os toques de celular e esse ar condicionado que refresca e que torna tudo tão banal. Até mesmo o vento raro, não o sinto. Há trilhos, luz, estradas, casas de tijolos e antenas. Mas por que quero a estagnação aos outros e não a mim que vivo em uma caixa suspensa no ar com todas as tomadas ligadas?

3 comentários:

  1. Viajei com suas palavras, Bruninha! Você me narra. Às vezes, eu só queria que a vida fosse mais visceral...

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  2. Sim Polly, uma vida mergulhada em águas profundas!

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  3. Debulhar o trigo
    Recolher cada bago do trigo

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