10 de abr de 2010

Um sopro quente de vida




Quem sabe um dia eu me acostumo sem me amansar. Guardando a indignação escondida nas mãos bem fechadas para conseguir conviver sendo alguém próximo do que acredito e quero ser. Desde muito, escuto falar que a harmonia e a sensatez são qualidades, e desde então mergulho na falta delas, que, segundo minha miúda forma de viver, são quase domesticações para que se seja uma pessoa média, ponderada: a famosa pessoa normal. Enquanto meus dedos titubeiam em escrever algumas palavras, meu corpo não se furta a vivê-las ao ultrapassar a porta de minha casa. Quando as palavras se fazem, é nesse caos que estou. Vivendo suas contradições e incongruências, não me escondendo do risco. As palavras vãs. São essas de que falo, pois as eternas permanecem acostumadas e amansadas por pensamentos, escritas e bocas alheias. E na briga cotidiana que é a vida de quem resiste à “acostumação” e ao “amansamento”, tiro-me, por vezes, da linha da almejada felicidade e jogo-me para debaixo dos trilhos do trem, sentindo todos os segundos a brisa produzida pelo passar dos vagões.